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Ano Velho, Ano Novo

                                               (Quadragésima terceira Comunicação) Adeus ano velho! Feliz ano Novo! Estas duas frases, refrão que é cantado na passagem de um ano para o outro, contém um duplo significado: um sentimento de frustração pelo que não se realizou durante o ano que se despede, contrastando-se com a esperança que extravasa otimismo, para o ano que se inicia.     O ano velho, já agonizando, dá as boas-vindas ao seu sucessor, que desponta no contar dos tempos, calendário inflexível, com promessas sempre repetidas em todos os tempos: Feliz Ano Novo! É uma maneira de se expressar uma esperança, a cada ano adiada para o ano seguinte, quando o atual ano novo, já como ano velho, também, se despedirá.                   Ano Novo, esperança que ...

Uma Grande Aula

                                        (Quadragésima segunda comunicação) Uma crônica perdida no tempo                 Prometi a mim mesmo que no mês de dezembro não trataria diretamente de assuntos que envolvessem o estado de devassidão a que fomos conduzidos, nem tampouco das fragilidades institucionais. Mas elas continuam, apesar das festividades próprias do fim de ano, sempre envoltas na fantasia contagiante do natal consumista. Assim é que irei reproduzir uma crônica que nos leva a refletir sobre uma realidade da vida, pouco notada: Fé e resignação.                 Esta crônica foi publicada no Jornal de Brasília no Natal de 1993, onde mantinha uma coluna com o título de “Resenha da Atualidade”. Por considerá-la sempre atual,...

Criança Abandonada

(Quadragésima Primeira Comunicação)             No artigo anterior nos referimos à criança abandonada, uma espécie já extinta, ao menos na interpretação da moderna sociologia. Mas vamos teimar em reconhecê-la como tal. No segundo volume dos Mosaicos da Sociedade Brasileira, Problemas Sociais e Sugestões, como chamamento à importância do assunto ali tratado, há um poema (?) com vista a chamar atenção sobre este grave problema. Vamos reproduzi-lo:    O ABANDONO DA CRIANÇA ABANDONADA A consciência social Reflete na inconsciência individual. A consciência individual Reflete na inconsciência social. E do reflexo de ambas as inconsciências Emerge o menor abandonado, Produto de incongruências Do mundo civilizado. Que mundo é esse, tão incapaz, Onde vidas são vividas Com o sacrifício de tantas vidas? Onde se fala de paz E se promove o delinquente? Onde s...

Deplorável Realidade

                                                                                         (Quadragésima comunicação)             Como passa rápido o tempo! Já é dezembro, mês de festas e também de prestação de contas daquilo que fizemos ou deixamos de fazer. A oportunidade que tivemos de expor fatos vivenciados por quem nunca se sentiu com as condições necessárias para dar cumprimento a uma tarefa missionária de tamanha monta, é algo que extrapola em muito a capacidade de quem se viu envolvido nas teias do destino. Não foi fácil reconstituir um caminho percorrido, onde o que prevaleceu foi um embate entre o prosseguir e o acovardar-se. Confesso que muitas vezes pensei em abandonar aquela ideia extravagant...

A Realidade não Adjetivada

(Trigésima nona comunicação)                         Inicio dizendo que é preciso dar um basta à demagogia políco-ideológica que só enxerga e expõe aquilo que interessa mostrar como meio de propaganda, na maioria das vezes enganosa e absurdamente onerosa. A administração de um país é como se fosse uma esfera recheada de artigos primários que serão trabalhados, com o fim de atender a um complexo contingente humano, que exige trabalho e ordem para sobrevivência. Esta esfera chama-se Estado. Aqueles que têm a incumbência de administrar este complexo político, composto pelos Poderes da República — Executivo,  Legislativo e Judiciário —, são os representantes da nação, ou da população politicamente organizada. A máquina estatal é um complexo tão complicado que necessita revisão constante para verificar como está o seu desempenho. Dois destes poderes, Executivo e Legislativo, são escolhidos pelo processo eleitoral. ...

Verso e Reverso da Moeda

(Trigésima oitava Comunicação) Por reiteradas vezes tivemos a oportunidade de afirmar que estamos numa encruzilhada dos tempos. Atônitos e atordoados diante dos fatos que estão acontecendo, principalmente aqueles que dizem respeito às necessidades básicas de sobrevivência, vamos tocando o barco. Genericamente apontamos a violência como fator predominante da epidemia do medo. Outros tantos fatos corriqueiros engrossam este estado de anomia, tão próprio de nossos dias. Citemos uns poucos: A necessidade de enfrentar a loucura do trânsito, estacionar e ter que nos submetermos às imposições ditadas pela necessidade de se organizar o caos, com a certeza de que estamos sendo observados e sujeitos a multas, além de descabidas bravatas autoritárias; aos entraves burocráticos; às falcatruas dos espertalhões; as filas gigantescas sem a certeza de sermos atendidos ou não, além do mau humor daqueles que, como nós, também têm os seus problemas e procuram descarregá-los sobre aqueles que deve...

O Último Suspiro

(Trigésima sétima Comunicação)             É notório que vivenciamos uma época de transformações profundas. Não é fácil e é até mesmo arriscado tentar descrever o que se passa atualmente, mas os relatos que nos conduziram até aqui, exigem este procedimento. É necessário conjugar presente e passado para construirmos projetos para o futuro. O ano de 2013 deixa um rastro preocupante, justamente por ter sido um ano atípico. Mesmo com tantos desencontros, por decepção de muitos, o mundo continuará com os mesmos problemas de sempre. É característica da humanidade o ambiente de pessimismo de uns, contrariando o otimismo de outros, deformando o sentido do que seja a realidade.                 Vivemos um tempo de indefinições no que se relaciona com o modo de viver, de se relacionar e formar opinião sobre a vida que levamos e, isso, em todos os setores que ...